se nada buscas, me encontras.
Impossibilidade
Não há uma pessoa que nunca amou. Não há sequer uma que nunca chorou por amor. Mas, sendo o amor tão bom porque anda junto com a dor? É certo que a rima é legal, a sonoridade fica boa, mas tem que ter algo a mais. Deve ser porque um é complementar do outro pro ser. Explico. Quando não se é preenchido por amor, o é por dor. E vice-versa. Logo, para a falta de um, há o complemento do outro. Ou seria suplemento? Não. Suplemento não. Também, quando há excesso de amor, a dor vem toda serelepe e saltitante e trata de ser o balde de água fria. Fria como suas mãos. Ah, sua pele fria! Não sedosa, macia, mas. É. Complementar à minha. O complemento da minha mão quente. E, ao contrário da dor, e do amor, a sua não anula o calor da minha. Só o alimenta. Mais e Mais. Mas, aí, vem a dor. A água gelada. E eu me lembro que o frio que me invade não é o seu. Que esse anula não só o meu calor, mas eu. É o frio do vazio, da troca feita. E, droga, eu não fui a escolha. Nunca sou. Não nisso, não quando quero ser. E do mesmo jeito que é impossível amar sem doer, digo que é impossível amar. É impossível porque é incoerente morrer de amor, e se morre. É impossível amar de doer, e se ama. É impossível amar. Não há uma pessoa que já amou.