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Simbiose

Os escritores são parasitas. Sobrevivem da tristeza das viúvas, das frustrações dos amantes, da saudade dos exilados, do arrependimento dos criminosos. Da hipocrisia dos escritores.
Costumamos dizer que os leitores e nós somos dependentes entre si. Líquen. Se o fungo morre, a alga não sobrevive. Sem alga, pra que fungo?
A vida de todos continua com ou sem líquens.
Enquanto lá eles vivem em uma sociedade mortal, se não legal, vivemos - os escritores e leitores - em uma leal, ou senão, mortal:
Caso não existam os usurpadores para alimentar a fraqueza dos dependentes, esses começam a viver. Sendo assim, morrem.
Explico.
Os leitores o são principalmente por uma razão. Não suportando a ideia de enfrentar suas vidas, eles mergulham nos livros e começam a vivê-los. Viram os personagens pelos quais se apaixonam, ou os que odeiam. Vivem-nos. Com eles nascem e morrem com o esgotamento das páginas. Afinal, se viverem todos os dias o mesmo personagem, entram  no esquema de vida de novo.
Ah, tristes leitores.
Só não são piores que os baixos escritores. É que esses foram por tanto tempo leitores que encarnaram um só personagem. E sobrevivem da covardia daqueles.

Parece complicado?
É simples!
Matematicamente falando:
(leitores covardes)^ambição = escritores
Não esquecendo que a ambição é diretamente proporcional ao sucesso do escritor.

Enfim, voltando.
Somos, por fim, dependentes dos leitores. Não tendo quem nos lesse, não os escreveríamos. Eles não viveriam. Nós não sobreviveríamos.

É. Continuemos com a simbiose.
Afinal, estou lendo quatro livros.
De uma vez só.

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