Descobriste comigo a complexidade de nossa compartilhada definição. Agradeço-te, pois, por proporcionar-me a possibilidade de tal feito.
Temo, porém, ser provável a incapacidade de muitos e, portanto, a impossibilidade de os mesmos acompanharem a explicação de nós. Mesmo assim, vou em frente, e escrevo-a.
De início, somos matéria e anti-matéria. Existimos pura e simplesmente para que nos anulemos tão logo nos encontramos. Talvez por isso, há esse estigma de vivermos distantes, longe do alcance mútuo.
É claro, existe algo além de nós: o resto. Conjunto que, não por inferioridade, mas por insuficiente qualidade, pode ser apenas um.
Imploro atenção.
Se somares, com todas as subtrações, nossas características, chegarás a uma conclusão evidente. -E tenho certeza que já o fizera antes mesmo de eu pedir-
Tu e eu somos tal como a Trindade. Sim, aquela Santíssima. Explico:
Como a matéria e sua anulante, somos tudo e nada. Um tudo tão paupável como nada. Além disso, englobamos o que há além disso. Nomear-lo-emos outro. Percebe?
Somos, portanto, o tudo, o nada e o outro.
Três de um, três em um. E vice-versa. Um em três, um de três.
Analiso agora a minha proposição. Peço-te desculpas por tanta delonga. Quando fui procurar pelo motivo de sua existência, dei-me conta que seria necessário apenas citar-te:
"E quando se tem a essência e o engano?
Nós temos."
de aquela que te espera a vida toda.