Ao abrir os olhos, suas costas nuas me desejam bom-dia. Manchadas pelo vermelho dos cabelos, elas completam a minha mais linda visão:
Pelo espelho, você se analisa. Há uma criança surpreendida em seus olhos. A luz neles traduz a mescla de alegria pelo novo, o resto de prazer do recente e o amor crescente.
Antes dessa manhã de amor, você sinceramente acreditava ter sentido tudo que poderia, nos mais profundos níveis e diferentes modos. Mas não. Hoje se redescobrira, descobrira um novo amor dentro de si. E o mais surpreendente era ele ser uma obra conjunta: dessa vez, havia duas fontes que o alimentassem com tanto zelo e intensidade quanto o suficiente para que ele ardesse sem queimar ou sem apagar.
O seu nascimento fora, como tudo que tende ao magnífico, um acaso. Inevitável. Embora fosse avassalador e tomasse conta de tudo, não destruía nada, sendo puro demais para isso. O tempo só ajudou consolidá-lo e, hoje você teve certeza da necessidade de cada minuto de espera, do quanto isso fê-lo crescer e amadurecer.
Não, não houve esmorecimento. Pôde ter certeza disso quando via nos meus olhos a adoração com a qual eu a desejava e o reflexo da sua reciprocidade, flamejante. Quando sentiu que, mesmo em grande quantidade, meu mel não a enjoava e transformava-se em nosso néctar, quando seus dedos acariciavam as marcas da paixão que eu deixara e você relembrava meus sussurros gritando seu nome, o meu amor.
A exteriorização de tudo isso através de seus olhos era a moldura do que eu já considerava insuperável. No instante em que eu sorria o meu êxtase, seus olhos encontraram os meus e você também sorriu.
O quadro era perfeito.
se nada buscas, me encontras.