se nada buscas, me encontras.

Pra gente não perder a graça no escuro

Sabe que eu nunca chorei por você?

É, estranho, não? Eu posso jurar que você foi um dos meus mais extremos amores, senão o mais. Desde as situações tão sempre extremadas a tudo que eu senti por você. Mas não pense que uma coisa é relacionada com outra. Não foi por você ser intangível que eu me apaixonei e fiz tudo que fiz.
Não sei de quem foi a culpa, mesmo que acredite piamente que tenha sido sua (e, não, dessa vez não coloque-a onde quiser), mas, inevitável como essas coisas geralmente são, tudo aconteceu.
E ao mesmo tempo nada. Nada do que eu, bem intimamente, planejara ou até mesmo quisera.
É claro, não falo por você. De tudo que aprendi a conviver com, o que mais é evidente e marcante é você ser, sem dúvida alguma, uma incógnita. Ao menos pra mim - e talvez a culpa seja da falta de idade e experiência - é muito fácil e difícil ler o que você quer dizer, como quer dizer, quem você é.
Hoje já não sei dizer o que achei de nós. O que achei do fim que tivemos. Do que eu representei pra você. Do que você representa pra mim.
Não sei se me esforço pra exterminar o que sinto ainda aqui dentro, ou pra guardá-lo com carinho e esperança.

Eu nunca chorei porque não tive a sensação de perda, afinal, uma pessoa como você, leonina e com asas, é difícil de guardar. Melhorando Caio, que poderia narrar nossa história falida de amor - como todas as outras existentes, é difícil aprisionar os que têm asas e garras e ego de leão.
No fundo sei que a gente se encontra de novo, não num Encontro, pois você não sairia de si, nem num outro "quando" onde riríamos de tudo isso - porque, não, não quero rir - mas, casualmente. Talvez quando você fosse comer cebolas fritas e eu estivesse apenas passando.

Aí, então, acho que junto com 'Oi' saudoso, o frio na barriga e calor no peito, as lágrimas viriam.

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