se nada buscas, me encontras.

hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás


    Eu, canceriana e romântica inveterada, não acredito mais em relacionamentos.
    Desde que saí da minha falha tentativa, comecei a ver com outros olhos as coisas ao meu redor: o mundo todo tomou outra forma, e as pessoas passaram a ter outros pesos pra mim. Eu passei a me enxergar diferentemente, e, ainda que no começo eu tenha me forçado a isso, minha nova opinião tomou conta de mim de forma arrebatadora, se tornando uma constatação tão óbvia e irrefutável que me envergonhava não tê-la tido antes.
    As pessoas serem egoístas nunca foi uma novidade. Mas, ainda assim, eu cria na doação pessoal por alguém. Eu me via como altruísta e adorava viver o estilo de vida condizente com essa característica.
    Então eu, machucada e triste, me obriguei a mudar a forma como vivia. Mudar minhas prioridades. A máxima era não criar expectativas e só acreditar no que já aconteceu. E foi muito difícil. Como não era algo natural, me era estranho enxergar as pessoas sem que elas tivessem algum laço comigo, alguma relação de direito e dever. Isso se mostrou ainda mais complicado por eu ter conhecido pessoas maravilhosas que deixavam tudo leve e me faziam bem.
    Só que quanto mais eu conhecia das pessoas, quanto mais coisas eu vivia, o resto do crédito que os relacionamentos tinham comigo se esvaía.

    Tudo que todos fazem é única e exclusivamente pra si próprios. Desde trair a pessoa com quem você divide sonhos a se privar do conforto pra algum trabalho voluntário. Passando por favores feitos, cobranças feitas, expectativas criadas. Ninguém está preocupado senão com seu bem estar. Ninguém faz qualquer coisa que vá imediata e diretamente machucar a si mesmo, porque não importa o amor que temos por alguém, não importa o respeito ou qualquer outra coisa, à noite, no silêncio, o que vai importar mesmo é o que você vai sentir sobre você. E se você pratica alguma forma de autoflagelação, é porque algum bem isso traz. E por vivermos tão e só pra nós mesmos, todo relacionamento é de alguma forma corruptível. Se uma pessoa vai te fazer melhor: um bem qualquer inédito ou não, ela vai ser uma opção pra você. E somente a tentação, a ideia da infidelidade, a vontade do outro destrói a essência de algo que inspira tanto compromisso. Relacionamentos são fadados à falha, eles são fadados ao fim.
    E eu afirmo com toda a petulância de alguém que acabou de atingir a maioridade: aquelas pessoas que negam essa autoproteção mista com egoísmo, que escolhem tentar abdicar de si mesmos pra cuidar das feridas dos outros, são as que tem medo de enfrentar os próprios demônios e de enxergar as próprias feridas. Só que elas sempre acabam rendendo a si próprios.
    Nem que para isso precisem passar por relacionamentos falhos e se machucar e se entristecer.

Mas quando tomam consciência disso tudo.. Quando sobem à superfície..
Ah..

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