Que sou um romântico, é bem sabido de todos. Pelo menos todos os que se gastam lendo-me.
Na verdade, não o sou por escolha tomada, ou decisão pensada, mas sim, por ser minha natureza.
Não é sangue que é filtrado pelos rins.
É romantismo. Este o é tudo de que me alimento, e tudo que elimino.
Bombeado pelo coração, enaltecido pela alma.
Há sede de romance, suor de romantismo. Romantismo que dá sede, romance que faz suar.
Excesso romântico por todo o lugar. Abundante em tamanha quantidade, que, não tendo mais por onde sair, me afoga. Afogo-me.
Eis o porquê de tanta demagogia e falação, meus caros. Quando se tem algo lento, gradual e iminente, entra-se em desespero.
Desespero angustiado. Sôfrego. Sofrido. Eminente a tudo.
Assim, com o inevitável dependente da minha vontade - a qual independe de mim - entrego-me totalmente à esse romance que me suga a vida.
Não pensem, pois, se tratar de mais um conto adolescente - esses há muito abandonaram-me - sintam-no como o sobrevivente de batalhas perdidas. Auto-vencidas. Longuíssimas e vis.
Lá vou eu de novo. O ultra-romântico.
Meu último cigarro.
Viva a revolução.
Da morte, amigos, da morte.
se nada buscas, me encontras.