Primeiro é o estupor.
Eu sinto todos os poros do meu corpo, cada pedacinho dele, sinto todos os pelos da minha sobrancelha e todas as minhas cicatrizes. Tudo está paralisado. Aqui dentro, o vazio.
Absolutamente nada. O zero absoluto. A paralisação total de todo e qualquer sentimento. Tudo congelado, anulado pelo.. que era isso que tomava conta de mim? Era tão único e intenso e irreversível. Era tão denso e fixo. É medo.
É medo de tanta coisa que eu nem sei do que realmente é. É de que talvez você não volte. Que a última visão que eu tenha sua é dos seus dreads me dizendo adeus numa tarde nublada. É de que eu não possa mais encaixar meu corpo nu no seu, enquanto dormimos. É de que o nosso futuro não seja mais como pensávamos. Medo de não conhecer o Ben ou a Amorinha. Medo de que esse pesadelo nunca acabe e que sua mão nunca mais agarre a minha.
se nada buscas, me encontras.